SEX18052012

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ANO NOVO, TEMPO DE ESPERANÇA

José Pedro Haroldo de Andrade Figueira

Foi-se 2011, deixando para trás todo um histórico de derrotas e vitórias, perdas e ganhos, desenlaces e uniões, tropeços e avanços, tristezas e alegrias, falhas e acertos.  Para uns, o lapso que se encerrou proporcionou mais bônus do que ônus. Para outros aconteceu o inverso. E houve aqueles para quem o embate entre os dois polos resultou em empate.

Ingressamos em novo período. Queima de fogos de artifício, bailes de réveillon, brindes com champanhe, gente em profusão (boa parte vestida de branco, a cor da paz) saiu às ruas para dar boas vindas ao ano recém-iniciado. Difícil não se deixar contagiar pelo clima de otimismo que, nessa época, toma conta das pessoas. O que houve de ruim ficou para trás, só coisas boas nos aguardam a partir da virada do calendário é a leitura que se faz do estado de animação coletiva que há pouco se viu.

Com as festas veio a temporada de promessas. Quase todo mundo firmou o propósito de fazer algo diferente de ora por diante.  Houve quem prometeu emagrecer, deixar de fumar, dar um basta ao sedentarismo, beber menos, dedicar mais tempo à família, retomar os estudos, praticar a solidariedade, aproximar-se de Deus, tocar aquele projeto que faz tempo dormita nos escaninhos da mente, de alguma forma romper com a mesmice, enfim.

Raros são os que conseguirão cumpri-las. No meio do caminho, a vontade de mudar começa a ceder terreno para os hábitos antigos, e aquilo que nasceu como um compromisso a ser levado a sério, acaba sepultado na vala comum das boas, mas frustradas intenções. Em linhas gerais, nada que incomode muito. Afinal, entre prometer para si mesmo e realizar o prometido interpõe-se uma enorme distância.

Independentemente dos anseios pessoais, porém, a vida segue seu curso. Todos sabem que logo as tempestades e as bonanças estarão de volta. Em um e outro caso, alguns serão diretamente afetados, outros servirão de testemunhas. Aquele que sofreu muito nos doze meses passados pode reencontrar a alegria e a paz nos dias que se seguem.  Inversamente, quem passou ao largo das tribulações pode, agora, ser chamado a contribuir com sua cota de sofrimentos. De toda sorte, vale a máxima herdada dos ancestrais que, acredito, citei em outra oportunidade: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.

O mais importante disso tudo é o que, sem dúvida, está por trás dessa atmosfera de júbilo difusa a que nos referimos inicialmente: a presença alentadora da esperança. Sem essa virtude, considerada pelo credo cristão, ao lado da fé e da caridade, fundamental na relação entre o fiel e Deus, viver seria muito difícil. É nela que nos agarramos quando a adversidade nos bate à porta e é ainda ela que nos ajuda a levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima como cantou o famoso compositor.

Até mesmo os descrentes rendem-se ao seu poder. No poema Benedicite, Olavo Bilac, expoente do parnasianismo, conhecido como o “príncipe dos poetas”, dedica-se a bendizer os autores de uma série de feitos extraordinários e termina sua poesia com estes versos: “Mas bendito entre os mais o que no dó profundo,/descobriu a Esperança, a divina mentira,/Dando ao homem o dom de suportar o mundo”.

Aos meus diletos e pacientes leitores um Feliz 2012.

 


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