
João Imbelloni
Com o coração apertado contemplo o estupendo luar refletido nas águas de maré cheia do Benfica. Tento atender aos insatisfeitos da plêiade de internautas que me seguem neste espaço, todavia, não consigo escrever sobre outros temas. A claridade, parecendo iluminar minha vontade, lembra-me do passado e o velho coração me conduz ao encontro da saudade e das histórias da juventude acontecidas na querida Cidade onde nasci. De tantas lembranças, uma das mais importantes para eu abordar, resume-se neste simples escrito nascido da insônia meditativa deste início de madrugada.
Quase crianças, os inteligentes olhares chocaram-se em plena Eloi Simões. Naquela rua morava Maria Matapi, bonita morena que, sendo obidense, descendia, parte de pai, do estrangeiro sangue
Por parte do avô, o dono do outro olhar igualmente descendia do estrangeiro sangue.
Os olhares, contudo, legítimos caboclos que eram, ao se encontrarem na Pauxis Brasileira, transformaram-se no amor universal que não tem bandeira e, sem qualquer limite geográfico, juntou os dois corações quase num só corpo.
Passado o tempo, porém, deteriorados os olhos pela cegueira da incompreensão e do egoísmo, os jovens trilharam outros caminhos, sem saber que os espíritos não podem fugir do final encontro. Ah! Aquele corpo a esculturar saudade. Ah! Aquele tempo do tempo tão jovem, quando as esperanças buscavam o futuro.
Agora, passados muitos anos, aqueles corpos e a velha verdade esculturam nas cansadas mentes outros sonhos que, de tão espirituais, zombam dos próprios carnais defeitos, frente à grandeza do novo instante. O que dizer, então, daquela imensa paixão perdida no tempo de luares e escuridões e que, atualmente, ensina aos maduros seres que o amor, este sim, diferente das paixões, é o caminho único da felicidade a dois? É preciso lembrar, todavia, que há amores terrenos e finitos, e amores espirituais e infinitos.
- Posso acrescentar algumas palavras nesse trabalho? – olho surpreso para a bela coruja Sáfira já pousada na grande mesa onde estou. Antes que eu possa falar qualquer coisa ela prossegue: - A verdadeira família não pode viver sem Deus. Não importa a grandeza do amor do casal. Estás com sessenta e cinco setembros nas costas e desejo, nesta madrugada, falar um pouco de tua experiência.
No profundo silêncio, iniciando-se a vazante da maré, o Benfica testemunha o estranho, mas proveitoso encontro.
- Tiveste tudo e não tiveste nada. Vi tuas tentativas de ser feliz. Ótimo emprego, suficiente dinheiro, linda família... Tudo isso foi por água abaixo, exclusivamente pela falta de Deus na tua vida. Muitas pessoas, principalmente teus familiares e sinceros amigos, perguntavam-se: Como pode uma pessoa inteligente e cheio de oportunidades ver os seus sonhos não chegarem a lugar nenhum?
Ao longe, o retumbar de um trovão anuncia as lágrimas da chuva que cairão em breve. A voz da coruja continua firme e clara:
- Aprendeste, contudo, a lição. Hoje, recomeçando a vida sem apenas o foco de coisas materiais, vês, finalmente, o real futuro, ao lado de quem amas. O porquê do final feliz que se anuncia? Simplesmente deixaste o Deus que trazes dentro de ti agir livremente. Tua fé Nele dar-te-á a certeza de que agora serás feliz. Segundo Iyanda Vanzant, Deus nos fala quando temos ouvido para escutar: “... Posso ajudá-lo (a). Eu já o (a) ajudei, Eu o (a) ajudo e o (a) ajudarei já que você me pediu... Você precisa desbloquear, no entanto, Meu caminho, tirando do mesmo o Medo, a Raiva, o Ódio, a Hipocrisia...”
Levantando vôo ainda houve tempo das derradeiras palavras da ave naquele começo de um novo dia:
- Resumindo, amigo meu: sem Deus não somos nada. Absolutamente nada! Bem disse Muktananda: “Referencie o seu Eu. Medite sobre o seu Eu. Venere o seu Eu. Ajoelhe-se diante do seu Eu. Compreenda o seu Eu. Seu Deus vive dentro de você e é você.”
RENASCER
Convulsão de pensamentos
Misturando passados tempos.
Força de puras realidades
Mostrando naquelas idades
Que o céu estava na terra
Bem próximo àquela Serra.
O sentimento de quem ama
Pode ser simples Escama
No embate do grande Rio,
Espetáculo sempre frio
Quando o coração/peixe perece
E nas águas tudo acontece,
Posto que no aparente final
Renasce a vida espiritual.
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