Edilberto Santos (
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Tendo como finalidade maior refletir sobre esta memorável oração, farei esta abordagem livre de maiores compromissos com datas, fontes ou outro objetivo mais profundo que não o de simplesmente expor aos que porventura se interessarem, algumas observações sobre esta bela e profunda oração, aceita por cristãos em todo o mundo.
Antes porém de me aventurar neste tema, gostaria de lembrar que as orações devem sempre ser proferidas da forma mais contrita possível, numa verdadeira comunicação interna e direta com seres superiores e divinos em quem depositamos fé e não proferir estas orações, especialmente o CREDO, como simples fórmula decorada, repetida sem concentração e mesmo de forma dispersa como se estivéssemos receitando uma fórmula de bolo.
Divagando um pouco, lembro de uma missa que assisti, onde era visível a preocupação de algumas senhoras com o tamanho de alguns vestidos de umas moças, e lançavam olhares examinando as jovens de ponta cabeça, sem interromper a prece que estavam proferindo ou os cânticos com que alegremente louvavam a Deus.
Não posso deixar passar em branco também, a lembrança daquela senhora religiosa ao acudir uma jovem que estava desmaiando na missa que se realizava cedo pela manhã na igreja matriz da cidade de Óbidos, que ao mesmo tempo em que lhe prestava socorro perguntava, ou teria perguntado: “quem é o pai, minha filha! Quem é o pai?.
Certamente ali não era local e nem hora para tal pergunta, mas nada que nos assuste em uma cidade como Óbidos onde naquela mesma igreja, quando a missa ainda era rezada em latim, na hora do Sermão os fiéis simplesmente saiam da igreja para animadas conversas na praça em frente, e após esta parte da missa (sermão) que, diga-se, era realizada em português, voltavam para a conclusão do culto, em especial para a Comunhão.
Também me vem na lembrança mais um fato inusitado que ocorria quando ainda morava em Óbidos, e acontecia na hora do almoço quando, sem empregada doméstica para preparar o almoço, procurava os restaurantes da cidade e todos estavam fechados para o almoço. Só abriam para o jantar.
Graças à bondade da proprietária do restaurante O CAJUEIRO, que também estava fechado, ali gentilmente almoçávamos, abrindo a proprietária uma exceção para acolher nossa solicitação, eu diria mesmo súplica. Bem! Chega de divagações e vamos ao CREDO.
Segundo o nosso velho e querido Dicionário Aurélio CREDO é “oração cristã iniciada, em latim, pela palavra credo (creio), e que encerra os artigos fundamentais da fé católica...”. É uma profissão de fé e que segundo antiga tradição, os apóstolos quando reunidos em Jerusalém teriam estabelecido em comum os rudimentos da nova fé que nascia com Jesus, quando cada um deles enriquecia a oração ditando seus artigos, e estes eram recitados por aqueles neófitos admitidos na nova fé no momento do batismo, porta de entrada da fé nascente, tal qual a circuncisão era a porta de entrada do judaísmo. Por estas razões, o credo também ficou conhecido como “credo apostólico”.
A partir do Concílio de Nicéia no ano de 325dc, esta oração passou a ser a síntese dos dogmas da fé como tal promulgada pelas autoridades da igreja católica, e em 1020 o papa Bento VIII introduziu a oração na missa.
Assim, o Credo nasce de uma conjunção de esforços dos apóstolos, e passa a ser uma proclamação batismal dos neófitos na nova fé, e pelo Concílio de Nicéia toma a roupagem de síntese dos dogmas da fé, e assim é promulgada pelas autoridades eclesiásticas.
Encerra em seu corpo, notadamente em sua “prima facie” que não é a fórmula recitada nas missas, que é mais concisa, questões dogmáticas da igreja, fundamentais para as realizações de alguns, senão de todos os 07 sacramentos da igreja católica.
Sendo o CREDO dogma, esta oração se torna diferente das demais orações expressadas pelos fiéis e se apresenta, enquanto dogma, como condição primária para alguém se tornar filho de Deus, nascido no seio da igreja. Sem esta profissão de fé, os sacramentos não terão o seu efeito eficaz na pessoa que os recebe.
Ainda apresenta algumas variações como o de Santo Anastácio de Alexandria, o credo da igreja bizantina, da igreja egípcia e outros porém, é bom lembrar que esta oração, em que pese suas variadas versões ao longo do tempo, consegue com a revisão feita pelo Concílio de Constantinopla, unir em seus fundamentos as comunhões católicas e ortodoxas que passaram a concordar com o seu teor em todos os pontos, como também estão acordes a igreja anglicana e algumas igrejas protestantes.
A versão em português assim reza:
Creio em Deus Pai Todo Poderoso
Assim professando sua fé, o cristão afirma sua crença em um só Deus, lembrando que na época em que Jesus aqui esteve, encontrou o povo reverenciando uma grande variedade de deuses e a eles eram oferecidos sacrifícios cruéis, imolando-se animais em cerimônias muito populares etc.
Esta primeira frase do CREDO afasta o politeísmo das crenças dos fiéis e ainda atribui a Deus a figura de Pai Todo Poderoso. Aqui, ao meu modesto ver, não cabe a figura do Pai tirano pois que todo poderoso, mas sim, do Pai amoroso que exerce seu poder sobre seus fiéis pelo amor. É o poder do amor ao próximo que seu filho Jesus tanto pregou, que se nos impõe o entendimento da expressão Todo Poderoso.
Criador do céu e da terra
Ao recitar que Deus é o Criador do céu e da terra, o fiel adota a teoria do criacionismo, aceitando que todos os seres existentes no céu e na terra são criaturas de Deus, assim como o próprio céu e a terra.
Por ser uma oração dogmático-teológica suas expressões não podem ser entendidas ao pé da letra, ou seja, entendidas em seu sentido literal. A cada verso existe um amplo campo de estudos teológicos, que em alguns casos vai além do que é limitado, do que é existencial.
A teoria da evolução capitaneada por Charles Darwin embora pareça em apressada análise contrapor-se a do criacionismo, na verdade não está em confronto com a Gênesis posto que o mistério da criação pode ter se realizado de diversas maneiras mas, sempre, haverá a presença de Deus em sua forma física ou espiritual.
Esta oração nos leva a refletir que tudo foi criado por Deus, independentemente da explicação quanto a forma de como foi feito.
E em Jesus Cristo Nosso Senhor
Ao se afirmar que se crê em Jesus Cristo a quem se dá o título de Nosso Senhor, é preciso levar em consideração o momento histórico em que foi criada esta poderosa oração, pois naquele tempo não estava consolidado o cristianismo, e fazia-se necessário que os admitidos na nova fé, no momento de seu batismo, professassem sua crença naquele que era o enviado de Deus para nos salvar, já que as autoridades representantes das religiões predominantes, tudo faziam para desacreditar Jesus e suas palavras.
Ao dar-Lhe o título de Nosso Senhor, o cristão estava dizendo e ainda diz que não aceitava e nem aceita nenhum outro senhor a quem devesse ou deva reverenciar e seguir, senão a Jesus Cristo Nosso Senhor e filho unigênito de Deus. Afastava-se assim da idolatria daquelas longínquas eras.
Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo
Eis aqui um dos grandes mistérios do cristianismo que o cristão ao afirmar nesta oração que assim crê, exclui a possibilidade de Jesus ter sido concebido após uma relação carnal de seus pais humanos, até porque é por todos sabido conforme nos é ensinado pela bíblia, que Maria era uma simples camponesa, solteira e virgem e então prometida a José com quem casaria, e assim mantinha-se sem contacto físico com nenhum homem, pois que imaculada.
Para melhor expressar o entendimento deste artigo, tomo emprestado a lição de um diácono amigo meu, que com bondade e paciência me auxiliou nesta aventura de escrever sobre este tema. Diz ele: “a concepção de Jesus Cristo foi um Grande acontecimento, que só pode ser explicado pela Fé, pois a natureza de Jesus é a junção do Humano com o Divino. Jesus Cristo foi concebido pelo poder do Altíssimo no ventre de uma mulher. A natureza humana de Jesus Cristo é 100%, e tão perfeito que só poderia ser Deus encarnado. A figura de Jesus como Homem estabelece o grande e infinito amor do Criador com a Criatura, se reduzindo a uma forma humana, tendo todos os sentimentos e sensações de um homem, mas sendo superado e equilibrado pela sua natureza Divina. A forma humana de Jesus, pode se dizer que é a forma futura que devemos alcançar na graça de Deus. Tanto, que é justamente isto que ocorre na vida dos mártires, eles foram tomados pelo poder do Espírito Santo e o seu corpo mortal foi envolvido plenamente pelo seu espírito imortal, conforme diz São Paulo: - Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim –“.
nasceu da Virgem Maria
Reforça aqui o crente católico, que o nascimento de Jesus se deu através de uma mulher virgem chamada Maria, que foi escolhida por Deus para gerar seu filho, a quem devotamos profundo respeito e dirigimos nossas preces, o Credo incluído, cuja mãe chamada Sant’Ana é a santa padroeira da minha cidade de Óbidos no Pará.
padeceu sob Pôncio Pilatos
Naquela época o império romano se estendia do ocidente ao oriente e era um colosso bélico, e por onde passava ia deixando marcas de sua cultura, do seu poderio militar, de suas atrocidades e ao expandir-se para o que é hoje o oriente médio, também deixou representantes do governo central de Roma para administrar as cidades conquistadas, recolhendo impostos (dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, lembram?) e conduzindo a comunidade que naquelas paragens era judaica.
Pôncio Pilatos Governador de Roma na Judéia era esse representante, a quem foi apresentado Jesus, e este deu pouca ou nenhuma importância à verdade que pregava Jesus e que contrariava os interesses das classes dominantes, e em um gesto simbólico lavou as mãos aos destinos de Jesus, gesto que atravessou os séculos e até hoje simboliza o menosprezo pelo que possa acontecer ao próximo, em franca afronta ao ensinamento de Jesus que nos convida a amar o próximo como a nós mesmos.
Não podemos esquecer que esta oração tem sustentação teológica, e assim este verso nos leva a refletir sobre o PODER que está insculpido no livre arbítrio que Deus nos concedeu para decidir entre o bem e o mal.
Vale refletir que tal qual aconteceu com Pôncio Pilatos, o Poder ainda hoje cega as pessoas e as leva muitas vezes à prática do mal, afastando-se estas pessoas dos ensinamentos de Jesus. Quantos em busca do Poder atropelam princípios e pessoas, ferem sentimentos, agridem a moral alheia, ancoram-se na intriga, prestigiam ou mesmo criam a mentira etc.
Pôncio Pilatos, poderoso Governador da Judéia, conquanto mostrar-se indeciso e talvez nem mesmo desejasse pessoalmente a morte de Jesus na Cruz, como demonstra seu comportamento de tentar transferir a responsabilidade dessa decisão ao Rei Herodes, que por sua vez devolveu Jesus ao Governador, quedou-se acovardado às pressões que lhe faziam o Sumo Sacerdote, Os Escribas e os Fariseus, para que decidisse pela morte de Jesus, tendo como pano de fundo, o receio de perder o Poder que detinha como Governador, posto que não lhe era confortável na condição de Governador de Roma na Judéia, ter aquelas lideranças locais contra si e contra seu poder.
Sintoma desse sentimento de apego ao Poder está na advertência que fez a Jesus quando lhe disse: “Não sabes que eu tenho poder para te soltar ou poder para te crucificar”-(JO 19,10).
Jesus diante dessa afirmação então retrucou: “Poder nenhum terias sobre mim, se do Alto não lhe fosse dado”-(JO 19,11).
Quantas vezes negamos nossa fé diante do mundo para preservar a nossa posição social ou nosso status, principalmente quando ocupamos altos cargos?
Foi crucificado, morto e sepultado
Naquela época os criminosos que eram condenados a morte eram afixados em uma cruz, e nessa condição aguardavam a morte.
O cristão afirma nesta oração que crê que Jesus foi crucificado ou seja fixado à cruz. Daí deriva a palavra crucifixo cujo símbolo Cristo crucificado está presente em lares, igrejas, repartições públicas e demais lugares onde a fé cristã esteja presente.
Também afirma crer que Jesus foi morto e sepultado e assim acredita que Jesus ao sofrer o que sofreu, como homem, foi morto e sepultado como um simples mortal, e assim agiu para nos salvar, mostrando a todos nós, pelo exemplo, sua altivez e humildade que mesmo diante do sofrimento, da dor e da morte iminente, ainda assim roga aos céus e diz: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Desceu à mansão dos mortos
Por afirmar ser filho de Deus, Jesus sofreu agressões de todos os tipos e muitos dos que estavam incomodados com seus ensinamentos e que eram as classes dominantes, desafiavam-no para que provasse seus poderes divinos e como tal não acontecia, pois que o reino de Deus é o reino dos Céus, estes acabaram levando Jesus na sua condição humana, a descer à mansão dos mortos.
Importante notar nesta parte do Credo, que para se atingir a mansão dos mortos é preciso “descer” o que a meu ver, está dito pelos apóstolos e por todos os que professam a fé cristã, que a mansão dos mortos destina-se a acolher o corpo físico ou seja, acolher a matéria de que somos feitos, numa alusão ao sepultamento feito debaixo da terra, onde o corpo físico transforma-se em pó.
Mas não é só, posto que em razão da sustentação teológica do CREDO, descer pode estar relacionado à morte eterna, sem esperança de vida pois nos ensina o CREDO que só Cristo é vida. É Ele que vai ao encontro dos que morreram sem esperança de vida, pois antes da vinda de Cristo não havia ressurreição.
Descer à mansão dos mortos significa estar Cristo conosco como vida que é, mesmo se estivermos na mansão dos mortos.
Subiu aos céus
Agora o fiel declara sua crença na imortalidade da alma, afastando-se do materialismo que leciona nada mais existir após a morte senão a degradação do corpo.
Na medida em que declara crer que Jesus subiu aos céus, aceita sua existência contínua, agora sob a forma espiritual, onde Jesus se encontra e que é o verdadeiro reino de Deus de onde continuará a agir em benefício dos seres humanos, ainda viventes na forma material que todos nós nos encontramos.
O Céu que esta oração nos propõe refletir, não é o firmamento (céu) que aparece em Gênesis mas sim, o Reino de Deus, o Reino Celestial e a subida aos Céus nos leva a uma busca constante em caminhar seguindo os passos de Jesus o que vale dizer, seus exemplos, que assim disse: “Por isso, assim como o meu Pai confiou o Reino a mim, eu também confio o Reino a vocês, e vocês hão de comer e beber à minha mesa no meu Reino” (LC 22,28-29).
Em conclusão, esta parte do CREDO nos ensina que o Céu para onde Jesus subiu, não é apenas um lugar mas é um estado de glória, onde não haverá dor nem sofrimento, nem fome ou sede, e subir aos Céus está ligado à vitória de Cristo na Cruz.
Está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso
Observo aqui que o cristão afirma crer estar Jesus “sentado à direita de Deus Pai”. Interessante observar nesta parte da oração esta afirmativa de estar Jesus, o filho de Deus, sentado à sua “direita”.
Permito-me fazer lembrar aos que me estão lendo, que em nossas próprias casas, notadamente nas famílias com quem convivi e ainda convivo e que professam a religião católica, aí incluída minha própria família, o Pai senta-se à cabeceira da mesa para as refeições e ao seu lado direito senta-se a mãe, como que obedecendo uma hierarquia familiar vindo o filho mais velho sentar-se na outra cabeceira, em frente ao pai, ainda que a mesa seja redonda. Na hipótese de falecimento do pai, como é o caso do meu pai, já falecido, minha mãe faz questão que eu lhe ocupe o lugar à mesa, como filho mais velho que sou.
Seria este comportamento observado nas famílias cristãs quando à mesa de refeições, reflexo dos ensinamentos do Credo?
Como disse alhures estes escritos não têm a finalidade de aprofundar nem lecionar nada, mas permitam-me dizer que a inspiração dogmático-teológica desta oração não pode ser olvidada assim é que, neste particular da prece, vale observar que a igreja católica, apostólica, romana professa um único Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, e assim sendo, Deus é Pai, é Filho e é Espírito Santo e apresenta-se representado em algumas manifestações artísticas, notadamente em pinturas, por uma pirâmide, que tentam representar Deus com esta figura geométrica evidenciando a Santíssima Trindade.
Assim, estar sentado à Direita pode também expressar, sob esta inspiração, o sentido da unidade na missão salvadora da Humanidade, sendo Jesus a expressão material da face de Deus no meio dos Homens, com o Espírito Santo interligando o Pai e o Filho.
Como já dito acima, o componente dogmático-teológico dessa oração nos lembra para não entendê-la de forma literal, assim, a hierarquia familiar acima reportada aqui está de forma figurativa. Quando temos alguém que conosco ombreia-se no desempenho de algum ideal, que conosco forma como que um só corpo em busca do mesmo objetivo não costumamos dizer que esse alguém é nosso braço direito?
Esta parte do CREDO, portanto, sob a ótica teológico-dogmática pode refletir que Deus Pai está no Filho, assim como o Filho está no Pai, e quem conhece o Filho conhece o Pai, logo, a sua posição à direita de Deus se reflete na sua forma Humana/Divina de se apresentar à Humanidade.
Donde há de vir julgar os vivos e os mortos
Mais uma vez aqui está, a meu ver, claramente dito que a morte do corpo físico é o portal de uma nova vida. A vida espiritual.
Jesus na sua condição divina e sentado a “direita” de Deus Pai, não abandona seus irmãos, filhos de Deus tanto quanto ele próprio, que pelas suas lições e exemplo quando aqui na Terra esteve, mostrou a todos nós que podemos ter uma vida terrena preenchida pelos seus ensinamentos, cultuando o amor no lugar do ódio, a solidariedade no lugar do egoísmo, e outros tantos valores morais que servem aos propósitos do ensinamento de Deus.
Pelas nossas atitudes, pelos nossos pensamentos e especialmente pelo nosso relacionamento com outros irmãos em Cristo, nós todos seremos julgados por nossas próprias consciências quando descermos à mansão dos mortos e estivermos na condição de ser espiritual. Iremos prestar contas de nossos atos aqui na terra, pois para isso temos a lição de Deus que mandou-nos seu próprio Filho para nos dar os ensinamentos que levam a salvação da nossa alma.
Quando esta fantástica oração nos diz que serão julgados os vivos e os mortos, está dizendo que não será necessário morrer para ser julgado, mas que o julgamento também se dará na condição de seres ainda viventes.
Fácil é entender esta prece neste aspecto, quando a um simples olhar ao nosso redor, podemos ver pessoas sendo julgadas ainda em vida, pessoas sendo feridas pelo seu próprio orgulho; pessoas sendo punidas pela sua própria avareza e também pessoas sendo agraciadas por Deus no atendimento de suas humildes preces, exatamente como Jesus nos ensinou.
Para comprovar que esse julgamento dos vivos se dá com amor, basta assistir a procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém, com as manifestações dos fiéis em agradecimento a graças alcançadas, que assim as recebem pelos seus próprios merecimentos.
A punição que Deus nos dá quando nos desviamos de seus caminhos também se faz por amor, pois a dor física ou moral, em especial a moral, serve para nos engrandecer, para nos redimir, para nos fortalecer. Você que sofreu castigos de seus pais, quer físico quando criança ou moral quando já adulto, deixou de amá-los por conta disso?
Creio no Espírito Santo
Agora o fiel afirma sua crença na terceira pessoa da divindade e que é una, sendo este um dos grandes mistérios que nossa capacidade intelectual, ainda muito limitada, não é capaz de entender.
São Paulo nos ensina que o Espírito Santo habita em nós, o cristão é o templo do Espírito Santo. Desde o momento do batismo ele está em nossa alma em graça, santificando-a e adornando-a com seus dons divinos porém, é necessário que nós cristãos não o excluamos de nossas vidas por meio do pecado, aqui entendido o pecado como comportamentos dissonantes do ensinamento de Cristo.
A Santíssima Trindade nos remete de pronto e dentro das nossas limitações de entendimento desse e de outros mistérios, a um conceito de fundo matemático, o que nos leva ao raciocínio de ser uma TRINDADE formada de três elementos, de três pessoas, de três coisas etc., e no momento que o católico em prece diz crer que esse conceito matemático é também e concomitantemente outro conceito matemático como sendo UNO, admite estar diante de um dos grandes mistérios da religião católica, e despe-se da visão puramente matemática e racional, para declarar-se crente de uma TRINDADE SANTIFICADA que chama SANTÍSSIMA TRINDADE.
Os Autores Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela em sua obra “Curso de Catequesis” do Editorial Palavra, Espanha, traduzido pelo padre Antônio Carlos Rossi Keller nos ensinam:
“A verdade fundamental de nossa fé cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Este mistério - que, por sermos nós limitados, não podemos compreender – nos ensina que em Deus existem três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três pessoas são Deus, são eternas, onipotentes, mas há um só e único Deus. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade e professamos a sua divindade quando rezamos, no Credo: “Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do filho, e com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração e a mesma glória”. Cremos pois, em Deus Espírito Santo.
Lecionam ainda os autores que, o Espírito Santo estando dentro de nós, cristãos, nos inspira e nos assiste, guiando-nos até o Céu. É o Paráclito, ou Consolador, o “doce hóspede da alma”. Este é o grande dom que Jesus Cristo tinha prometido aos apóstolos na última ceia: “É conveniente para vós que eu me vá. Pois, se não fosse assim, o Paráclito (o Espírito Santo) não viria a vós; mas, se eu me for, eu o enviarei a vós” (João 16,7).
E efetivamente, prosseguem os autores, tal como Cristo havia prometido, no dia de Pentecostes – dez dias depois da ascensão ao céu e cinquenta dias depois de sua ressurreição – o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e discípulos que estavam reunidos no Cenáculo com a Santíssima Virgem. Com a vinda do Espírito Santo a igreja se abria às nações. O Espírito Santo que Cristo derrama sobre seus membros constrói, anima e santifica a igreja”.
Na Santa Igreja Católica
Ao afirmar que crê na santa igreja católica, está o cristão reconhecendo que onde Deus habita, este lugar é santificado.
Estamos evidentemente dando um sentido mais amplo e abrangente ao termo “igreja” que, por óbvio, não significa o acanhado entendimento de se lhe confundir com o “templo” católico.
Crer que a igreja é santa e católica e que também é una e apostólica, significa dizer que a igreja é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Deus uno e inseparável na Santíssima Trindade.
O termo “igreja” vem do grego “ekklesia” e significa “convocação”. Designa assembléias do povo, reunião de pessoas, geralmente com objetivos de cunho religioso. Essa denominação foi dada às reuniões dos primeiros cristãos ou seja, à assembléia daqueles que naqueles tempos afirmavam sua crença em Cristo, no que ele pregava, nos seus ensinamentos e em um Deus único.
Esse termo atravessou os séculos com o mesmo sentido e ainda hoje significa a convocação dos fiéis, a convocação do povo de Deus em todo o globo terrestre, que assim convocado reúnem-se fisicamente nos templos católicos, também chamados de igrejas. Quando Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” evidentemente falava de forma metafórica, para dizer que à Pedro incumbia a continuidade da missão de Jesus, e sobre ele recairia a missão divina da evangelização.
A igreja é católica (universal) em dois sentidos:
No primeiro porque Cristo está presente na Igreja Católica e segundo Santo Inácio de Antióquia “Onde está Cristo, está a Igreja” e no segundo, ela é católica porque a Igreja é enviada em missão por Cristo destinada à universalidade do gênero humano (Mt28,19), a igreja de Cristo não exclui ninguém e todos os que são chamados à salvação pela fé e pela graça de Deus, pertencem à igreja.
Na comunhão dos santos
Cumpre inicialmente dizer que os “santos” aqui referidos nesta prece são aqueles à que São Paulo ao comparar os cristãos e a igreja se refere como “santos”. Em outras palavras, quer dizer que os “santos” são os cristãos como indivíduos, independentemente de sua santidade pessoal, e assim eram chamados por serem consagrados a Deus e a Cristo.
Reforçando esta afirmativa, temos o Novo Testamento que os menciona por cerca de 50 vezes, e assim a comunhão entre os “santos” significa dizer que ao recitar esta prece, o cristão afirma crer na comunhão espiritual entre todos os cristãos no mundo todo e entre todos com Cristo, e assim são beneficiados com todos os seus dons divinos.
Vale ainda mencionar a lição de que a comunhão dos santos significa a união espiritual de todos os cristãos vivos e mortos, entre os cristãos que se encontram na Terra, no Céu ou segundo a doutrina católica, no purgatório, todos formando um único corpo místico que podemos representar como sendo Cristo a cabeça e os demais “santos” os outros membros onde cada um contribui para o bem estar de todos, em perfeita comunhão para o bem da humanidade.
A Comunhão dos santos também se dá na comunhão das “coisas santas” como seja das bênçãos, dos sacramentos e de outras graças e dons que os fiéis comungam como cristãos que são.
Na Santa Missa temos o momento da COMUNHÃO para ali simbolizar exatamente essa relação estreita dos fiéis com Cristo.
Na remissão dos pecados
Todos nós sabemos que “remissão” é indulgência, misericórdia, clemência, perdão, e “pecado” nos ensina o Dicionário Aurélio, é a transgressão de preceito religioso, falta, erro, vício, maldade, crueldade etc.
Quando dizemos que cremos na remissão dos pecados afirmamos que, como cristãos, acreditamos que pelo batismo somos remidos do pecado original.
Nesse sentido transcreveremos o que diz o Catecismo da Igreja Católica: “Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afeta a todos e é morte da alma. Em razão dessa certeza de fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal”.
Mas essa prece não fica por aí e também nos ensina que, ao assim rezar que cremos na remissão dos pecados, também dizemos que cremos que a igreja não dispõe somente do batismo para perdoar nossos pecados mas sim, também serve-se a Igreja de outra chave para nos franquear o Reino dos Céus e que recebeu de Jesus, que é a “penitência”, do que se utiliza a Igreja para remir as faltas daqueles que estejam em pecado ainda que até o último dia de suas vidas.
Ainda conforme o Catecismo da Igreja Católica, é pela Penitência que o batizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja. Os padres da Igreja com razão chamam a “penitência” de um “Batismo laborioso”. A Penitência é necessária para a salvação daqueles que caíram depois do Batismo, assim como o Batismo é necessário para os que ainda não foram regenerados.
Fazendo rápida referência aos Sacramentos sem fugir do tema central, podemos dizer que o nascimento espiritual do católico se dá pelo sacramento do batismo, assim como o seu crescimento espiritual se dá pelo sacramento da Crisma.
Já o alimento espiritual do católico se dá pelo sacramento da Eucaristia; o remédio espiritual se dá pela Confissão ; o preparo para a morte, que eu prefiro dizer preparo para uma nova vida, se dá pelo sacramento da Unção dos enfermos; o estado sacerdotal delegado por Jesus para que pudessem os sacerdotes por exemplo, ouvir confissões, rezar missas etc., se dá pelo sacramento Da Ordem e o estado matrimonial se dá pelo sacramento do Matrimônio.
Portanto, ao rezar que cremos na remissão dos pecados, também estamos dizendo que aceitamos e cremos nos demais sacramentos da Igreja.
Na ressurreição da carne
A crença dos cristãos na ressurreição desde os primórdios do cristianismo, integra a essência da fé cristã e quando a 02 de novembro temos o dia dos finados, estamos nesse dia celebrando a nossa fé na ressurreição dos mortos em espírito e na nossa própria ressurreição.
Por lapidar e simples consoante os objetivos destes escritos, tomo emprestado, com a devida permissão, a lição do Pe. José Artulino Besen que transcrevo “ipsis litteris”: “Em nossa sociedade hedonista, que reduz a perspectiva de felicidade para o aqui e o agora, crer na ressurreição parece desnecessário, porque se prefere afirmar que não há ressurreição e nossa sepultura é o último endereço. Se assim é, aproveitemos a vida e não percamos tempo com suposições preferem muitos afirmar.
Mas o que é ressurreição da carne? Primeiro, temos que responder a outra pergunta: o que entendemos por carne? Consideremos a Eucaristia: quando Jesus diz ‘quem come minha carne e bebe meu sangue’ (Jo 6,56) está afirmando: ‘Quem me receber como alimento’. Carne e sangue significam a mesma realidade: a pessoa. Tanto isso é claro que comemos o Pão e estamos recebendo o Senhor em sua Carne transfigurada. Permanecem as espécies do pão e do vinho, mas agora transfiguradas no Corpo e Sangue do Senhor ressuscitado.
Desse modo, quando professamos ‘creio na ressurreição da carne’ estamos dizendo ‘creio na ressurreição da pessoa’. Na linguagem bíblica o termo ‘carne’ significa pessoa na sua integridade. Nós não fomos criados corpo e alma, como duas realidades separadas: Deus soprou o espírito de vida num corpo que se tornou, desse modo, ser vivente, pessoa humana (Gn2,7).”
Assim concluo eu, que quando professamos a crença na ressurreição da carne, estamos afirmando que cremos que a ressurreição prometida por Jesus Cristo não é apenas espiritual, mas a restauração da pessoa humana em um corpo espiritualizado.
Na vida eterna
Este último artigo dessa poderosa prece vem como que coroar os ensinamentos de praticamente todas as religiões, que não aceitam, da mesma forma que a Católica, que tudo termine aqui na Terra com a morte do corpo físico.
A história das religiões sinaliza nesse sentido, e no catolicismo esta profissão de fé é “uma afirmação solene capaz de imprimir um sentido à existência terrena” nas palavras de Dom Redovino Rizzardo.
O grande efeito, a grande finalidade desse último artigo para o cristão, é o de concitá-lo a não se afastar dos ensinamentos de Deus, preparando-o para quando de sua partida dessa vida material, usufruir de uma nova vida, a vida eterna ao lado do Pai Eterno, fazendo-o entender a pouca importância da busca de riquezas materiais, da satisfação à farta e desregrada de suas necessidades materiais, do mal que faz à vida espiritual ações egoístas e preconceituosas praticadas na vida aqui na Terra, enfim, a crença na vida eterna eleva a vida terrena de valores morais e éticos, valores que devem presidir a vida dos católicos na Terra.
O fiel garantirá sua presença naquele mundo de luz e paz eternas, com suas ações aqui na terra como bom cristão que confessa ser quando afirma o seu CREDO, daí porque insisto que ao recitar qualquer prece, devemos fazê-la com honestidade de sentimentos e propósitos e da forma mais contrita possível, sem se importar com o vestido da fiel ao lado, nem se ela está gestante e muito menos quem é o pai.
Um pouco antes de sua partida para a vida eterna, Jesus, o grande e inigualável Mestre consolando seus apóstolos lhes disse: “Não fiquem tristes. Creiam em Deus e creiam em mim também. Na casa do meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-lhes um lugar. Quando eu for e o tiver preparado, voltarei para levá-los comigo, para que estejam onde eu estou” (Jo14,1-3).
AMÉM
Nas palavras de Dom Redovino “o Amém que se segue é a conclusão natural de quem vive desta convicção, e que poderia ser traduzida dessa forma: Assim é e assim será. É esta esperança que sustenta a minha jornada terrena!”.
Fiquem com Deus.
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Data / Hora:
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02/03/2012 11:31:12
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Nome:
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Rafael
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E-mail:
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rafaelmendes_sousa@hotmail.com
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Cidade:
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Buriticupu-MA
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Comentário:
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Saudações sr Edilberto Santos, nos últimos anos alimentei em mim uma dúvida sobre esta oração que a tantos anos proclamo como católico. Na parte em que se diz: ''Donde há de vir julgar os vivos e os mortos'', já ouvi algumas explicações um tanto que diferentes sobre esta citação e agora a sua. Analisando pessoalmente a oração, me perguntei várias vezes se há a possibilidade de o trecho fazer uma alusão ao que os evangélicos chamam de " arrebatamento da igreja'' ou segunda vinda de Jesus Cristo. A existência da professia é um fato. E quando observamos que segundo ela Cristo virá buscar tanto os que já morreram quanto os que ainda vivem, podemos dizer que este trecho da oração confirma a professia. Gostaria de saber o que o senhor pensa sobre isso e a opinião de mais pessoas.
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