
Hugo Antônio Ferrari
O obidense Constantino Menezes de Barros - já falecido - era membro de tradicional família, tendo sido considerado um dos mais renomados matemáticos do seu tempo.
Constantino Barros foi esse obidense que se projetou na “ciência da matemática” e, conseqüentemente, tornando assim a nossa cidade mais conhecida, sobretudo, nos meios científicos.
Óbidos é considerada um “celeiro de intelectuais” que continuam se destacando em várias áreas, orgulhando a nossa Terra.
A recente fundação da “Academia Artística e Literária de Óbidos” – a ALLO –, aconteceu exatamente para oferecer aos obidenses a oportunidade de apresentarem seus trabalhos literários. Era o palco que estava faltando para que os nossos artistas pudessem melhor se apresentar.
A maior riqueza de Óbidos são seus filhos, honrando a tradição deixada pelos nossos antepassados.
A natureza é outra dádiva que Óbidos recebeu das mãos de Deus quando criou o universo. Ter a nossa frente o Amazonas - o maior Rio do planeta em volume d’água e por onde todos têm que passar obrigatoriamente -, é algo que merece o nosso eterno agradecimento.
Ter paixão pela cultura, pela literatura, pelo conhecimento, é uma característica nata do obidense que só faz aumentar cada vez.
Com o advento da internet, dá para se perceber o quanto tem crescido o interesse dos obidenses em tornar público suas aptidões.
Já os imortais José Veríssimo e Inglês de Souza continuam inspirando novos talentos a seguirem seus exemplos, pois, a cultura está no sangue do nosso povo. Não foi à-toa que eles foram por mim declarados “Patronos Cívicos de Óbidos” quando Vereador à Câmara Municipal.
Óbidos surgiu com a missão de espalhar o saber a fim de que a sociedade obidense continue contribuindo para o engrandecimento cultural do Pará e do Brasil.
Aproveito o ensejo para chamar a atenção da necessidade que temos em prestigiar e difundir cada vez mais tudo aquilo de bom e positivo que tem sido produzido pelos obidenses.
Não desejamos que fatos importantes que marcaram a nossa rica e patriótica trajetória fiquem no anonimato, mas, sim, que chegue ao conhecimento de todos.
Dessa maneira, acreditar na capacidade do obidense é ter a convicção de que a cultura tende a crescer e se espelhar, pois, povo sem tradição não tem estória para contar.
Óbidos, felizmente, guarda gratas lembranças do seu passado para conhecimento de seus filhos!
Constantino Menezes de Barros
(1931 - 1983)
Matemático brasileiro nascido na cidade de Óbidos, Pará, um dos talentosos matemáticos brasileiros do século XX. Filho de Guilherme Menezes de Barros e Elvira Menezes de Barros graduou-se no bacharelado em Matemática pela Faculdade Nacional de Filosofia-FNFi, da Universidade do Brasil (1952-1957). Devido sua ativa participação na política estudantil, teve grandes dificuldades em obter do CNPq uma bolsa de estudos para realizar seu doutoramento no exterior, só a conseguindo (1964), graças à intervenção do matemático francês e seu professor no IMPA (1957), Georges Reeb. Recebeu seu Docteur ès Sciences da Faculté de Sciences, Université de Paris, França, sob a orientação do matemático Charles Ehresmann (1905-1979), um dos membros do grupo Bourbaki, realizado em apenas 18 meses (1964-1965), ao defender a tese intitulada: Espaces infinitesimaux, Une extension du calcul différentiel extérieur d’Élie Cartan et du calcul différentiel absolu de Ricci. Tornou-se Professor Assistente de Ensino Superior, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal Fluminense-UFF, em Niterói (1958) onde permaneceu por nove anos.
Em seguida foi Professor de Disciplina Autônoma, do Instituto de Matemática da Universidade Federal Fluminense (1967-1970), até ser aprovado em concurso público para o cargo de Professor Titular da UFF, ali permanecendo os próximos cinco anos. Foi chefe de Pesquisas do CNPq (1968-1975) e Pesquisador Titular 1 do Instituto de Matemática da UFRJ (1975-1983), onde exerceu suas atividades de magistério na graduação e na pós-graduação. Participou com apresentação de trabalhos, em vários congressos internacionais, entre eles o Congresso Internacional de Matemáticos, em Moscou, Rússia (1966) e o de Nice, França (1970) e foi Professor Visitante na Universidade de Paris (1965) e Pesquisador Associado em várias universidades do exterior como no Instituto Henri Poincaré e na Universidade de Stanford. Foi membro do Comitê Editorial da Revista Colombiana de Matemáticas, uma publicação da Sociedad Colombiana de Matemáticas e passou a ser revisor para a revista Zentralblatt für Mathematik e para a revista Mathematical Reviews (1966) até seu falecimento. Casado com Suely Coutinho de Barros faleceu na cidade do Rio de Janeiro, com pouco mais de 51 anos de idade. Publicou trinta e sete trabalhos originais de pesquisa em periódicos especializados e realizou, a convite, 44 conferências.
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