
José Pedro Haroldo de Andrade Figueira
Vieram de muito longe. Deixaram para trás as famílias, os amigos, a terra natal, cruzaram o Atlântico e foram fixar residência na longínqua Amazônia, oeste do Pará, com a finalidade de levar a palavra de Deus ao povo daquelas plagas. Aludo aos frades franciscanos alemães que, por volta do início do século passado, chegaram à região do Baixo-Amazonas.
A partir daí, ao longo dos anos que se seguiram, e com idêntico propósito, dezenas de religiosos fizeram o mesmo percurso. Bom para santarenos, obidenses, alenquerenses, jurutienses e farenses, que passaram a usufruir de benefícios inestimáveis, não só no campo da espiritualidade, mas também na área educacional e até na de empreendimentos civis para fins sociais.
Ao falar desses sacerdotes, atenho-me àqueles sediados em Óbidos na época em que lá vivi cujo desempenho tive a oportunidade de acompanhar. Frei Rogério, Frei Daniel, Frei Prudêncio, Frei Ricardo, Frei Vírgílio, Frei Bento, assim se chamavam alguns desses clérigos. Há outros nomes que, infelizmente, no momento me escapam. Todos, uns mais, outros menos, com importantes folhas de serviços prestados à população do município como um todo. Alguns faleceram na cidade e seus restos mortais jazem no subsolo do velho cemitério São João Batista.
Sem nenhum demérito para os demais, elegi um grupo seleto sobre o qual gostaria de discorrer de agora em diante, embora de forma bastante sucinta. Dele fazem parte Frei Angélico, Frei Francisco, Frei Rodolfo e Dom Floriano. De alguma maneira, estes homens causaram-me forte impressão, seja pelo jeito de ser, seja pelo modo de agir, seja porque, em circunstâncias diversas, convivi com eles mais de perto.
Conheci Frei Angélico quando eu ainda era criança. Aliás, tive a honra de receber o sacramento do batismo de suas mãos. Sujeito alegre, bonachão, permanentemente bem humorado, gostava de, pessoalmente, visitar os fiéis em suas casas. Passou a maior parte de sua existência cuidando dos índios mundurucus, na Missão do Rio Cururu, um braço do Tapajós. Seu trabalho entre os nativos foi muito além da catequese. Ensinou-lhes novos meios de autossustentação econômica como criar gado, plantar juta e cacau. Literalmente, dedicou o resto dos seus dias aos indígenas, já que, pelo que fui informado, teria morrido na aldeia deles. Trata-se, para mim, de mais um candidato à glória dos altares.
Frei Francisco chamou minha atenção pela capacidade de trabalho. Jamais conheci alguém tão disposto e esforçado. Tarefa leve, para ele, só quando atuava nas celebrações litúrgicas. Identificava-se com o mais humildes dos operários. Aliás, não fora pela batina (surrada e constantemente suada), poderia até, em determinadas ocasiões, ser confundido com um trabalhador braçal. Encarava qualquer tipo de serviço. Tanta energia e disposição para a labuta rendeu-lhe o carinhoso apelido de “Frei Formiga”.
Frei Rodolfo não era versado só em assuntos teológicos e filosóficos próprios de sua formação. Possuía, também, sólidos conhecimentos técnicos e científicos. Muitas das obras de construção civil realizadas pela prelazia tiveram sua participação efetiva, do traçado à execução. Foi meu professor de ciências, desenho, matemática e religião no então Ginásio São José. Aprendi muito com suas lições. Eu e tantos outros ex-colegas bem-sucedidos vida devemos aos ensinamentos desse frade, tão dedicado quanto exigente em sala de aula, parte do êxito que obtivemos.
Dom Floriano ganhou lugar cativo no coração dos obidenses. A relação de amizade vinha de antes, mas se consolidou quando de sua sagração como primeiro bispo da recém-criada Prelazia de Óbidos, em 02 de fevereiro de 1958 – tive a felicidade de participar como coroinha da missa solene que oficializou sua investidura no cargo. Seu zelo de pastor transcendeu a missão de apascentar as ovelhas do seu rebanho. Chamou para si, também, a tarefa de encontrar meios para suprir muitas das necessidades temporais do povo de sua jurisdição episcopal. Neste quesito, posso dizer sem receio de errar que ninguém, político ou não, fez mais pela população da cidade do que ele.
Esteve sempre a frente do encaminhamento ao poder público das demandas sociais dos habitantes do município. Asilo, hospital, aeroporto, tipografia, escola profissionalizante, instituição de ensino médio (secundário, à época) tudo isso se deveu à iniciativa e ao empenho pessoal desse saudoso pastor. É por puro merecimento que seu corpo, hoje enterrado sob o piso da catedral de Sant’Ana, tornou-se objeto de veneração popular.
Alguém poderia indagar: por que homens com consistente formação escolar, egressos de um país com tradição secular em educação de qualidade – vale lembrar que a Alemanha deu ao mundo expoentes do saber como Kant, Nietszche, Hegel, Marx, Hanna Arendt, Max Weber, Goethe, Thomas Mann, Wagner, Bach, Beethoven, Einstein, Bhertold Brecht e outros mais -, aptos para exercer na vida laica atividades bem remuneradas e de prestígio, decidiram abraçar o sacerdócio e trabalhar em terras distantes, em tudo diferentes de sua pátria, sem aspirar a nenhum tipo de recompensa material? A resposta, difícil de entender à luz da racionalidade, mas perfeitamente compreensível quando vista sob a ótica da fé, seria: por amor a Deus e ao seu semelhante, ou simplesmente pela caridade cristã.
Nutro profunda admiração por esses missionários de além-mar que renunciaram ao mundo para servir Cristo. Inspirados no exemplo de São Francisco, fundador da ordem a qual pertencem, deixaram-se seduzir pela mensagem do Evangelho, em especial a contida no trecho a seguir: “Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mateus, 6,19-21)”.
Sinto-me particularmente feliz porque na família há um membro que, tal como os seguidores do santo de Assis, embora filiado à outra congregação católica, decidiu trilhar o caminho árduo, mas sublime, da vida sacerdotal. Refiro-me ao meu sobrinho Otavinho, filho do meu irmão Otávio e de minha cunhada Inês. Rezo para que o jovem seminarista persevere na bela escolha que fez.
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Data / Hora:
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19/02/2012 12:10:03
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Nome:
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Haroldo Figueira
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E-mail:
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haroldofigueira@uol.com.br
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Cidade:
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Natal
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Comentário:
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Obrigado, meu filho! Você desde cedo revelou-se uma pessoa inteligente e temente a Deus. Assimilou, muito bem a mensagem evangélica que aconselha ao bom cristão acumular tesouros no céu. E mais, sou testemunha de que, juntamente com minha nora Suzanne, passa isso para meus netinhos Felipe, Mariana e Gabriel. Que o Senhor o abençoe.
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Data / Hora:
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15/02/2012 12:11:33
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Nome:
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Heitor Figueira
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E-mail:
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heitorfigueira@tjrn.jus.br
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Cidade:
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Natal
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Comentário:
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Parabéns, pai, pelo seu belo artigo. Se hoje sou um católico convicto e realizado, um homem consagrado a Deus, devo ao senhor e à mamãe que me trasmitiram a maravilhosa herança desta fé, que por sua vez foi alimentada por estes homens de Deus que deixaram sua nação para servir ao próximo.
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Data / Hora:
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12/02/2012 11:51:36
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Nome:
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Haroldo Figueira
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E-mail:
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haroldofigueira@uol.com.br
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Cidade:
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Natal (RN)
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Comentário:
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Caro sobrinho,
Penso que tentar expressar por meio de palavras tão pobres o meu testemunho pessoal sobre a obra maravilhosa desses operários da messe do Senhor, foi a forma que encontrei para demonstrar o meu apreço e a minha gratidão por quem tanto fez pelo meu torrrão natal e por seus habitantes.
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Data / Hora:
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11/02/2012 07:53:44
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Nome:
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Frt. João Otavio, sjs.
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E-mail:
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otaviofigueira@me.com
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Cidade:
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São Paulo
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Comentário:
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Muito obrigado tio por esta bela crônica no qual o senhor relata a vossa rica experiência com os religiosos que até os dias de hoje evangelizam as terras onde o senhor e o meu pai nasceram.
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