
João Imbelloni
Benfica, 12 de junho de 2012
Querida senhora:
Quando o sol se despediu e caiu a noite de ontem, a escuridão, sem lua e estrelas, iluminou-se apenas com a energia da saudade que nasceu do meu peito e espalhou-se pela amplidão benfiquense, sob o intenso calor daquele momento.
Aguardando pelo consolo atenuante do vento da esperança que logo chegaria, sentia eu a furtiva gota de suor (ou lágrima?) rolar do meu rosto para dentro do rio, que a recebeu com o objetivo de levá-la em direção ao oceano de minha fé, que a incumbiu da precípua missão de, ao longo do caminho, juntar-se às águas das marés da vida. Essa força deverá pugnar para que o amor continue florescendo em nossos enamorados corações, conservando-se inabalável, tal qual o mar de segurança que banha nosso maduro e sincero relacionamento.
Pensando em ti, balbuciou a feliz alma as singelas palavras: Translúcidos pensamentos povoavam a mente/ Cansada de esperar ancorada na solidão./ Sofrido coração tentava soltar as amarras/ Presas ao passado e, com tenaz sofreguidão,/ Tentava fugir plenamente das frias garras/ que teimavam em segurar a negra solidão...
Como uma pura estrela de luz, entretanto,/ Surgia à salvadora que, com amor imenso,/ Cortou os tristes elos da parca lembrança/ De um tempo que, apesar de tão intenso,/ Morrera ao longo do caminho da desesperança,/ Não podendo vencer o sólido e bom senso.
Inebriado pelo momento, pareceu-me ouvir uma declamação de Fádia, latindo de dentro da escura noite: Desapercebido de fortuna/ O poeta não pode comprar/ O presente material do Dia/ À altura da namorada.
Com o pensamento no Pai/ Pede o presente em sincera prece./ Recebe a Divina Ordem e,/ Radiante, oferta o próprio coração.
Neste novo dia, a luz de um diferenciado sol, fugindo da rotina, derrete qualquer possibilidade de tristeza. A saudade da breve ausência afirma-me que o Dia dos Namorados é igual a todos os demais dias vividos pelos que se amam verdadeiramente...
Romântica senhora: Para que não me julgues sob quaisquer outros aspectos, aproveitarei do ensejo para comprar um presente para nós dois, sem a conotação, porém, de haver sucumbido à pressão publicitária, trocando-a pela ação que não me cabe – e não saberia explicar. Afinal, um simples par de alianças, cujo valor material não terá nenhuma importância, mas, representará nosso sagrado compromisso de uma união cristã e estável, na lei dos homens, e eterna, na lei do “Reino que não é deste mundo”, o qual, simplesmente, ratificará um enlace celebrado há muitos... Muitíssimos anos.
Com todo amor,
João
EXACERBAÇÃO
Recrudesce em mim a Fé,
Ao ver o pôr-do-sol, o mar,
As marés que imitam a vida,
O erro do apóstolo Tomé.
Recrudesce em mim a Esperança,
Ao ver o desabrochar das flores,
O ruído silencioso da floresta,
O formoso riso da criança.
Recrudesce em mim a Caridade,
Ao ver o teu grande exemplo,
A dignidade do teu sincero amor
Que me segue pela eternidade...
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