
José Pedro Haroldo de Andrade Figueira
Sempre que se fala em falta de ética, a imagem que de imediato nos vem à mente é a do político brasileiro. E não sem razão. Lamentavelmente, nossos representantes nas esferas do poder público, nem todos evidentemente, ganham notoriedade não pelo que fazem em favor do país, mas por envolvimentos em corrupção e toda sorte de falcatruas destinadas a desviar recursos do erário, seja para suprir os próprios bolsos, seja para favorecer apaniguados e financiadores de suas campanhas eleitorais.
Todavia, por mais que as condutas desses mandatários do povo provoquem nas pessoas de bem justa indignação, não se deve perder de vista que eles não são corpos estranhos dentro do organismo social ao qual pertencemos. Integram-no, expõem-se à influência de valores, padrões de comportamento e costumes acessíveis ao grupo como um todo. Reproduzem, por conseguinte, tanto as virtudes, quanto os vícios que circulam no meio em que habitam.
Não é minha intenção fazer a defesa dos maus políticos. Também os quero longe do poder. Releva refletir, porém, sobre o fato de que não são só eles os agressores da ética. Há muita gente na vida privada que padece do mesmo mal. Refiro-me àqueles que, para satisfazer conveniências pessoais, transgridem as regras da boa convivência comunitária. E mais, sentem-se em condições de criticar os escorregões éticos alheios. Parecem acometidos de uma doença do tipo vista curta moral: enxergam a sujeira do vizinho, mas não veem o lixo que carregam consigo.
Ética tem a ver com bons hábitos sociais, no sentido de o cidadão agir de acordo com aquilo que a coletividade entende como a coisa certa a ser feita. Vale para ambas as instâncias da vida em comunidade. Quem, portanto, não faz a coisa certa na vida privada, corre o risco de repetir a experiência na vida pública. É certamente por isso que, na política nacional, renovam-se consideravelmente os quadros a cada eleição, mas os malfeitos permanecem.
Acompanha-nos, há séculos, um cacoete cultural dos mais nocivos. Incutiram-nos a falsa crença (e a coisa pegou) de que priorizar o coletivo é coisa de otário e, que se dá bem quem puxa primeiro a brasa para a sua sardinha. Destacaria duas linhas de ação ligadas a essa orientação individualista. A primeira induz as pessoas a pretender, sozinhas, levar vantagem em tudo – prática que ficou conhecida como a lei de Gerson. A segunda recorre ao “jeitinho brasileiro” – expediente que, basicamente, serve para lograr o outro e driblar a lei.
Observe-se o que acontece no nosso cotidiano. Pessoas que posam de íntegras não se pejam de cometer deslizes rasteiros. Aliás, não são poucos os que agem dessa forma. Ocorre-me alinhar, à guisa de ilustração: a) o comerciante que não emite nota fiscal e se apropria do imposto que o consumidor paga; b) o empreiteiro que distribui propina para vencer licitações e superfaturar obras; c) o empresário que “maquia” balanços para sonegar tributos; d) o dono de posto de combustíveis que adultera a gasolina sem se importar com os danos que causará aos motores dos carros de seus clientes, etc.
Nessa primeira leva, mencionei ações antiéticas que acontecem mais na esfera das pessoas jurídicas, mas no âmbito das pessoas físicas cometem-se, também, senões assemelhados. São os casos, por exemplo: a) do chefe de família que não assina a carteira profissional da empregada doméstica para não recolher a contribuição previdenciária devida; b) do profissional da saúde que se nega a dar recibo do valor do serviço prestado; c) do condutor de veículos infrator que “molha a mão” do guarda de trânsito para livrar-se de multas; d) do motorista que, indiferente aos avisos e sinalizações, ocupa vagas de estacionamentos destinadas a idosos e até a portadores de deficiência física. A lista é extensa e bem mais diversificada.
É claro que nem todos raciocinam e agem dessa maneira. Há, entre nós, muita gente séria e de caráter que repudia essas manifestações burras de incivilidade. Só que, infelizmente, corre o risco de virar minoria. Perde espaço para grupos em expansão de oportunistas, aproveitadores e espertalhões que, além de se julgarem acima da ordem social e jurídica, não têm respeito para com os seus concidadãos.
Não se constrói uma sociedade desenvolvida, justa e pacífica, sobrepondo o interesse particular ao do conjunto da população, pois, ao final, todos saem perdendo. Tomemos como exemplo, em uma análise superficial, o caso do Brasil. Econômica e socialmente até que avançamos, mas não o suficiente. Quantitativamente, possuímos uma economia pujante, qualitativamente, porém, ela deixa a desejar. Não conseguimos manter o crescimento em níveis satisfatórios por longo período e ainda dependemos bem mais da exportação de matérias primas do que da de produtos com maior valor agregado. No segmento social, ainda exibimos indicadores de qualidade de vida e de desenvolvimento humano próximos aos de países africanos. Isso tudo porque substancial parcela dos recursos que serviriam para investir em ciência, tecnologia, em educação de uma forma geral, bem como em infraestrutura e outros serviços públicos essenciais desaparece no ralo da corrupção e da roubalheira.
Reza a sabedoria popular que “esperteza, quando é muita, come o dono”. Hoje, por aqui, quem tem muito dinheiro (e aqui o rico que fez fortuna com trabalho honesto acaba misturado ao rico pilantra) tem de fazer de sua casa um bunker. Vive com medo. Para sair, só se for de helicóptero ou em carros blindados e sempre com escolta reforçada. Se facilitar, a violência cá de fora, fruto em grande parte da desigualdade social gerada pela concentração de renda, o sequestra ou mata.
Ética capenga não existe. Ou se é ético por inteiro ou não se é ético. Agir com ética é dever de todo ser humano adulto minimamente educado e em sã consciência, não importa se ocupa cargos públicos ou se suas atividades circunscrevem-se à área privada. Sem ética não há convívio social civilizado, nem tampouco exercício pleno da cidadania.
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Data / Hora:
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24/12/2011 10:22:18
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Nome:
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Haroldo Figueira
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E-mail:
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haroldofigueira@uol.com.br
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Cidade:
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Natal (RN)
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Comentário:
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Oi, Layse!
Em primeiro lugar, fico feliz em manter contato com você.
Obrigado por ter lido e aprovado o que escrevi.
Um abração!
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Data / Hora:
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22/12/2011 11:07:30
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Nome:
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Layse Ferreira
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E-mail:
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layseferreira@uol.com.br
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Cidade:
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Saquarema - RJ
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Comentário:
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É isso, Haroldo. Seu texto está perfeito!
Um abraço
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Data / Hora:
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22/12/2011 10:25:48
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Nome:
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Haroldo Figueira
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E-mail:
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haroldofigueira@uol.com.br
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Cidade:
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Natal (RN)
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Comentário:
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Caro Renato.
Preliminarmente, foi um prazer ler sua manifestação! Faz tempo que a gente não se vê, não é? Um grande abraço.
Para agir com lisura na vida pública é preciso fazê-lo também na vida privada. O mau político de hoje é o cidadão comum mau caráter de ontem.
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Data / Hora:
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21/12/2011 08:49:57
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Nome:
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Renato Amaral de Souza
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E-mail:
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renatoamaral22@gmail.com
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Cidade:
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Manaus-Am
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Comentário:
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Amigo Xapuri
Muito boa tua cronica! Concordo plenamente com voce, que nao existe etica capenga, temos que ser integro como um todo.Infelizmente nossos politicos säo e vao continuar sendo o retrato da corrupcao. Esta ai o exemplo os ministros do governo Dilma
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