
João Imbelloni
Na encruzilhada parei por muito tempo. Dias, alguns meses, o tempo a passar. De repente, pressionado, enveredei pelo caminho que me parecera mais limpo, mais fácil, pavimentado, aparentemente sem muitos obstáculos. Nem um simples olhar para o outro caminho, singelo, bom, florido, natural...
Conduzido pelo engano, aqui estou, neste 24 de dezembro, fruto do arrependimento e impedido – quem sabe pelo orgulho ou pela vergonha – de retornar à encruzilhada e percorrer a verdadeira estrada que se me oferecera e a rejeitei tão vilmente.
Busco nas orações, diálogo com o Pai, o consolo e a coragem para uma possível nova tomada de decisão. Vou ao encontro, todavia, do atroz pensamento de que o belo caminho, desprezado, possa ter sido ocupado por outro viajante mais inteligente, e que tenha melhor discernimento da vida do que este pobre sonhador.
Sento na beira da percorrida estrada. O suor turva-me a vista ao olhar para trás. Devo obedecer ao desejo de retornar à encruzilhada e tomar o outro caminho? Enfrento a cruel dúvida de não mais encontrar o objetivo do final da jornada? Quedo-me no solo das penitências, ao sabor da poeira do tempo levantada pelos veículos dos sentimentos que seguem, igualmente, à procura dos seus destinos; alguns com a clara convicção do que buscam, e outros, tal qual este sonhador, sem direção e arrependidos pela direção tomada.
Resta-me, no entanto, consolado pelo pôr-do-sol e pelo vento da saudade que afasta o calor do triste dia transformado numa derradeira noite de reflexão e orações, antes do outro dia recomeçar o ciclo de vida que rege este Planeta. Diferente da outra estrada, não se ouve um simples cantar de uma ave noturna. Silencioso e triste dia; silenciosa e triste noite. O silêncio, contudo, induz à melhor concentração para a fala com o Altíssimo e, divinamente, presta-se para os reflexivos pensamentos que assistirão, com toda certeza, ao novo nascer do esplendoroso sol da vida.
Ajoelho-me sob o agasalho de gigantesca árvore. Sinto a presença de Protetores que me acompanharão nas próximas e difíceis horas. Fecho os olhos e, com a cabeça entre as mãos, inicialmente choro a dor da indefinição e do posterior arrependimento. Lavada a alma, pensamento no Superior Espírito, começo as orações ao lado de espíritos de luz que me consolarão na longa noite. Ao longe, pela primeira vez ao longo de tantas horas, o belíssimo cantar de um estranho e desconhecido animal silvestre. Dir-se-ia que aparecera um maestro para reger a Sinfonia da Decisão, uma vez que, paulatinamente, outros animais aderiram ao cúmplice entoar de uma melodia muito bonita e com o dom de lembrar-me do Natal – do verdadeiro Natal – que se aproxima.
O cansaço cedeu lugar para a paz. O silêncio foi embora, deixando em seu lugar o cantar dos sábios animais que vieram de muito longe para aquele congraçamento natalino. Jesus Menino – esquecido pelas festas, presentes e substituído por obeso Papai Noel – sorri e abençoa-me como o faz com os Protetores e com os, agora, milhares de animais que representam o amor que todos deveriam ter e sentir no natal de todos os dias...
O nascer do novo dia não me surpreende dormindo. Em que pese tudo, completamente descansado inicio a caminhada em direção à encruzilhada, com a conseqüente volta ao caminho que desprezara, levando no coração a paz e a coragem sublime de pedir perdão. Daí para frente um novo caminhar, encontrando, com a graça de Deus, o Bem (suprema busca) e o Mal (sofrimento e oportunidade de aprender e ficar preparado para o retorno à evolução e ao grande Trabalho).
Nenhum pedido de perdão?
Ausente o Único Aniversariante?
Tudo pelas fartas festas?
Ao Papai Noel as homenagens?
Logo: simples hipocrisia!
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Data / Hora:
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09/01/2012 01:40:48
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Nome:
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Paulo Edison De campos
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E-mail:
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edisonpec@yahoo.com.br
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Cidade:
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Avaré-S.P.
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Comentário:
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Arrpendimento é dom de Deus ele ama o arrependimento e ao cabe executa-lo , ele mudança de 180 g , de direção, ele tem que ser cabal e produzir frutos.
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