Manuel Ayres
Exerci, como Médico, a especialidade de Pediatria, após ter estagiado, em 1950, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, no Serviço dirigido pelo Professor PEDRO DE ALCÂNTARA.
Em 1951 fui convidado por ABELARDO SANTOS para Membro de sua equipe de ensino de Pediatria, vinculada à Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, já vinculada à nossa Universidade.
Após minhas tarefas universitárias, atendia a clientela particular, que começava a surgir, em seus domicílios e, ainda, no período matutino, em um Consultório localizado no Edifício Aliança do Pará, Rua Santo Antonio, cedido pela gentileza da Dra. ELISA ROFFÉ, minha colega de Turma e amiga fraterna. Fui prosperando em minhas atividades pediátricas, em um meio onde pontificavam ilustres e competentes médicos como RAIMUNDO DO VALE PAIVA, ARMANDO PINGARILHO, FROILAN BARATA e ABELARDO SANTOS.
Como todos sabem, a Medicina é arte e, sobretudo, ciência. Proporciona aos que a praticam, muitas alegrias e alguns dissabores. Fui agraciado nesse labor com a um telefone em minha residência, o que era uma tarefa difícil na época, pois havia limitação de linhas telefônicas com fio. Já escrevi uma crônica sobre esse episódio, denominado 3400 (era, à época, o número de meu telefone residencial).
O que desejo relatar são algumas alegrias resultantes dessa minha caminhada como Pediatra, a qual, iniciada em 1951, foi encerrada em 1967, quando me dediquei, em nossa Universidade, ao ensino e à pesquisa na área da Genética, após estudar essa ciência, durante o ano de 1966, na Universidade do Rio Grande do Sul.
Em uma das minhas visitas a um Shopping em Belém – o IGUATEMI -, fui abordado por um senhor, com cerca de quarenta décadas de vida, que me perguntou: “o Senhor é o Dr. Manuel Ayres?”. Após a confirmação ele disse o seguinte: “quando eu nasci tive uma infecção chamada Tétano Neonatal e, por sugestão de meu tio, o Dr. VALE PAIVA, o senhor foi chamado para me cuidar e eu estou aqui na sua frente relatando e agradecendo ao Senhor por ter me tratado com sucesso de uma doença muito grave”; Fiquei comovido e com certa fatuidade, pois essa enfermidade, à época, era fatal em cerca de 98% dos recém-nascidos acometidos.
Ano passado, no mês de outubro, estava ministrando um Curso de Bioestatística para jovens formados em Odontologia e que se preparavam para o atendimento de crianças com deficiência mental. Ao terminar a primeira lição, ao sair da sala de aula fui abordado no corredor por uma Senhora de cabelos um pouco esbranquiçados, certamente com cerca de 50 décadas de vida, a qual, dirigindo-se a mim, perguntou: “o Senhor é o Dr. Manuel Ayres”? Ao confirmar ela prosseguiu com estas palavras: “o Senhor foi meu Professor de Bioestatística e, mais ainda, foi também meu Pediatra”. Fiquei muito emocionado por ver a alegria imprimida em sua face e ao perceber que minha trajetória nos cuidados com os pequeninos havia sido bem sucedida.
Há cerca de um mês, novembro de 2011, estive em um Consultório de um Dermatologista, para tratamento de uma pequena laceração em um dos meus artelhos. A sala de espera continha numerosa clientela, eis que o especialista era de muita competência, daí a grande demanda de pacientes. Ao meu lado estava uma Senhora, a qual, ao ouvir meu nome ser chamado pela atendente, perguntou: “o senhor é o Dr. Manuel Ayres?” Ao confirmar, ela complementou: “o senhor atendeu minha filha quando eu residia no Edifício Manuel Pinto da Silva”. Eu estava amamentando, pois ela ainda estava com 3 meses de vida e, de repente, ela ficou sufocada e eu desesperada, mas nesse momento soubemos que um médico pediatra estava atendendo uma criança em um apartamento junto ao meu. Corremos para lá e o senhor nos atendeu prontamente, conseguindo liberar a respiração de minha pequerrucha. Não sei, ainda, como posso lhe agradecer sua atenção e dedicação, mas quero lhe dizer que ela estudou Medicina, e hoje é médica no Hospital “Alberto Einstein” em São Paulo. Passei, discretamente, um lenço em meus olhos, pois fui envolvido pela emoção benfazeja de um período da minha vida que o tempo levou...
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Data / Hora:
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01/01/2012 02:07:51
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Nome:
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Hugo Antônio Ferrari
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E-mail:
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hugo.a.ferraru@hotmail.com
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Cidade:
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Óbidos - Pará
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Comentário:
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Deve ter sido gratificante e emocionante o testemunho de muitos de seus pacientes que o senhor ajudou a restabelecer a saúde.
Lembro de dois familiares (uma prima e um sobrinho) que foram tratados pelo senhor.
Quanto ao do meu sobrinho, o mesmo fora acometido por uma “Nefrose”. Já com relação a minha prima, não lembro direito qual foi o seu problema de saúde.
Atualmente, todos estão bem. A prima mora em Belém e é filha de Bernadino Priante, irmão do seu colega, o também médico José Benito Priante, ambos já falecidos.
Já o meu sobrinho reside atualmente em Maringá (PR), levando uma vida saudável.
Desejo parabenizá-lo por ter feito da medicina um verdadeiro sacerdócio, ajudando a salvar vidas.
Que o bom Deus o recompense pelo bem que praticou em favor de seus semelhantes.
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