
Dino Priante
Vovô Silvestre, pai de minha mãe, nascido em Madalonnni, província de Napoli (IT), foi criado pelos tios, pois minha bisavó faleceu quando ele ainda era criança, seu pai migrou para Argentina.
Ainda muito jovem no ano 1906, seu irmão Pasquale Savino migrou para Óbidos. Meu avô após servir ao exército italiano, chegando a cabo de cavalaria, convidado pelo seu irmão também veio para o Brasil, direto para Óbidos.
Formaram uma sociedade comercial, que não durou muito tempo, porque constituíram suas famílias, e sem nenhum problema, apartaram a sociedade e cada um cuidou de seus negócios. Meu avô retornou à Itália para casar com sua prima Letíicia Albricci, e no seu retorno começou a construir o Prédio da Formosa Obidense, que existe até hoje na Rua Dr.Corrêa Pinto, 2 em Óbidos. Esse prédio não teve cálculo estrutural e nem de fundação, o projetista foi o próprio velho Silvestre. Conheci algumas pessoas que acompanharam a construção dessa obra, como por exemplo o Sr. Sabá Bucheiro, que sempre comentava da fundação que era uma estupidez, a parede frontal tem uma espessura de oitenta centímetros, é uma verdadeira fortaleza, continua de pé, desde 1928. No térreo utilizou para o comércio e nos altos foi sua residência.
Meu tio-avô Pasquale, adquiriu o Imperial, uma fazenda com quase dez quilômetros de frente as margem direita do rio Amazonas, se dedicando à pecuária, produção de cacau e ainda tinha o comércio, que era localizado passando a antiga usina de prensa de juta, denominada Paraense.
Vovô Silvestre tinha dez filhos. Mas seu irmão, por volta de 1946 veio a falecer, e tinha seis filhos menores do segundo matrimônio, o juiz determinou que meu avô fosse o tutor dos mesmos. Nesse cenário, onde vejo uma das suas maiores virtudes, porque ele acabou de criar seus sobrinhos, e quando completavam a maior idade, ou seja, vinte e um anos, meu avô entregava seus patrimônios, como fazenda, gado, dinheiro e os mesmo tratavam de cuidar de suas vidas, isso aconteceu com José Maria, Antonio, Benito e Domingos Savino. As sobrinhas, só saíram de sua casa, após estarem casadas. O faturamento pertencente aos sobrinhos, como vendas de gado assim como as despesas, era justado conta anualmente e administrado pelo meu avô com mão de ferro, até hoje nunca ouvi falar que meu avô tenha utilizado subterfúgios para enrolar seus tutelados.
Em 1952, minha avó veio a falecer de um infarto fulminante, deixando meu avô Silvestre com os seis sobrinhos todos adolescentes e mais os seus dez filhos, a maioria solteiros.
A mesa da casa do vovô tinha uns quatro metros de comprimento, faziam refeições cerca de vinte pessoas diariamente, em uma época em que abatiam uma reis por semana em Óbidos, não havia frangos e nem isopores e gelo para conservar o peixe, mas essa turma tinha que almoçar e jantar todos os dias.
Meus tios que ainda estudavam, vieram para o internato da Escola do Carmo, aqui em Belém, as mulheres para o Colégio Santo Antonio, mas a maioria deles não quisera continuar os estudos, restando uma tia que se graduou em farmácia. Vovô bancou a instalação de uma farmácia, ao lado de sua loja, denominada de Farmácia Paraense, que na época era um das mais modernas em nossa cidade, foi por muitos anos uma farmácia bem movimentada, onde o dirigente do estabelecimento era meu tio Silvestre.
Lembro meu avô, já na faixa dos setenta para oitenta anos, fumando aquele ”porronca”, com aquele seu temperamento napolitano, dando bronca nos filhos e alguns fregueses, que freqüentavam sua loja, isto porque após meu avô descer das prateleiras algumas peças de tecido, o freguês não havia se agradado da padronagem e dizia: Seu Silvestre “O dinheiro não dá” ou “Não é para mim, é encomenda”, o velho pegava um corda danada.
Vovô também gostava muito de construir, essas casas da Rui Barbosa, a partir da Correa Pinto até o meio do quarteirão foi ele quem construiu. Muitas vezes o levei, em canteiros de obras, chegava lá começava a dar opinião, os mestres de obras ou proprietário não gostavam muito, mas ele tinha que demonstrar seus pontos de vista.
Gostava de comer bem, suas refeições eram sempre com pães, hábito europeu. Quando faltava pão em Óbidos, minha tia mandava de avião o pão aqui de Belém. Em virtude de meus tios serem agentes das companhias aéreas que mantinham linhas normais para nossa cidade, isso facilitava o recebimento, a encomenda era entregue diretamente ao comandante da aeronave.
Vovô, também gostava de tomar sua cerveja de vez em quando, mantinha sempre uma grade de Antártica em casa.
Hoje 31 de Dezembro, dia de São Silvestre, lembrei de meu avô. Mas infelizmente ele já partiu a 43 anos, nos deixando imensas saudades, para todo o clã dos Savino, nascidos em Óbidos.

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Data / Hora:
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27/01/2012 05:22:00
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Nome:
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Dino Priante
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E-mail:
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dinopriante@ibest.com.br
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Cidade:
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Belém
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Comentário:
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Caro Jorge, nós éramos os netos mais chegados ao Vovô Silvestre, na verdade éramos os mais velhos,eu com 14,Italo com 12, tu com 8 e Edmilson com 6.Outros eram na faixa de 3 anos, não tinham condições dessas saídas com o vovô para as missas, Aeroporto, mas o picolé do Jacinto, eles estavam presentes.Vovô mandava comprar
20 a 30,picolés, aí todo mundo saboreava.
Recordo com saudades esse tempo.
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Data / Hora:
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23/01/2012 01:41:18
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Nome:
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Vinicius Savino
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E-mail:
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vinicius_savino@yahoo.com.br
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Cidade:
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Belém
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Comentário:
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Meu querido primo Dino é com grande alegria e satisfação que o parabenizo pelo excelente artigo. Não poderia deixar de mencionar sua impressionante capacidade narrar fatos do passado áureo de nossa querida Óbidos. Confesso que outrora fui ouvinte dessa historia linda contada por você de um dos sobrinhos citados no texto, cujo mesmo é meu avô paterno o Sr José Maria de Castro Savino, porém agora sim de fato conheço a verdadeira origem de meus antepassados que infelizmente não pude em vida conhecer. O legado que deixaram me faz cada vez mais orgulhoso. E digo sem conjecturas que Herdei sim o sangue desses nobres guerreiros desbravadores caucasianos, pois é notável que todo SAVINO é perseverante e corajoso. Muito obrigado meu amigo e que Deus continue te dando forças e sabedoria para contar para as novas gerações o quanto sim somos importantes.
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Data / Hora:
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07/01/2012 02:49:13
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Nome:
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Emanuel Jorge Savino de Oliveira
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E-mail:
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jorgesavino@gmail.com
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Cidade:
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Rio Branco - Acre - Brasil
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Comentário:
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Dino, vc sempre nos leva às lágrimas. É tão bom ler histórias reais de nossa família e relembrar os momentos, no caso minha infância, e ver os cenários daquela época sem deixar de enaltecer o caráter de Vovô Silvestre, que apesar de bravo, adorava tanto seus netos que fazia questão de passear conosco praticamente todos os domingos.
Um grande abraço meu primo e um 2012 com saúde e sucesso.
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Data / Hora:
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05/01/2012 01:02:59
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Nome:
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amelia savino vieira
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E-mail:
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ameliasavino@hotmail.com
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Cidade:
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balneario camburiu-sc
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Comentário:
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obrigada berardino por essa historia veridica de meu bisavo,amei o documentario,sempre perguntava pra minha mae,como a familia savino chegou em obidos e vc escreveu muitas coisas que eu ate entrei na historia imaginado como eles viviam na epoca,quero relatar que tenho orgulho de ser dessa familia denominada Savino meu avo VICENTE SAVINO sempre passou pra nos seus netos termos orgulho de quem eramos e de onde nasceu a nossa origem,tenho um sonho conhecer o pais de minha familia,eu creio que vou realizalo em nome de JESUS,EU AMO a ITALIA.
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Data / Hora:
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02/01/2012 09:46:09
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Nome:
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José Maria Azevedo
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E-mail:
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j.maria2007@hotmail.com
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Cidade:
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Fortaleza - CE.
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Comentário:
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Olá irmão Dino Priante, seu comentário apesar de ser uma coisa muito familiar, não deixa de ser um belo exemplo deixado pelo seu aavô. Fico muito feliz quando leio suas matérias, afinal elas sempre nos trazem relatos definidos e com lições de vida. Parabéns.
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Data / Hora:
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02/01/2012 06:18:42
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Nome:
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Claudomiro Savino Brelaz
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E-mail:
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savinobrelaz@hotmail.com
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Cidade:
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Manaus- Amazonas
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Comentário:
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Dino, amei a matéria a respeito do meu bisavô,eu não o conheci,ele partiu para a eternidade muito jovem, sei que foi muito prospero, e deixou um grande património.
Teu avô foi tudo isso que você relatou e muito mais, tenho belas recordações do meu tio que nos ajudou nos momentos difíceis.
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