SEX18052012

LOGIN



A Curupira obidense

O obidense sempre esteve muito próximo e dependente das nossas matas. O extrativismo, a mais antiga atividade humana, força nosso povo a pesquisar e sobreviver da fauna e flora da nossa rica região. A coleta dos produtos naturais, sementes, raízes, óleos, folhas, frutos; a caça e a pesca, até hoje são atividades de sobrevivência do povo fivela.

A mata sempre nos fascina e nos reserva surpresas a cada instante. O canto melódico dos pássaros, a sombra relaxante, o silêncio misterioso, a umidade contagiante, o cheiro agreste, enfim, a mata é a paz, equilibrando o ecossistema.

A lenda do Curupira atravessa séculos e continua atual. O padre jesuíta José de Anchieta, que escreveu a gramática da língua Tupi, na sua carta de 30 de maio de 1560 já se referia a esse mito ecologicamente correto, que mundiava o povo indígena. É uma figura do folclore brasileiro; uma entidade das matas.

O Curupira: Curu (abreviatura de curumim) e Pira significa corpo. Ou seja: corpo de menino. Tem os cabelos cor de fogo, os pés virados para trás, dentes verdes tal como pedras de esmeralda, calcanhares para frente e corpo ligeiramente peludo. Este perfil muda de acordo com a lenda de cada região do país. Ele é o guardião da floresta, zelando pelas matas e animais. Tem o dom de ficar invisível, e assobia com tanta intensidade, atordoando aquele caçador que mata por perversidade, e não para seu alimento. Maltrata aquele que intenciona matar bichos fêmeas prenhes ou aquelas que estão amamentando seus filhotes. Ele pondera o homem que derruba uma árvore para fazer sua casa ou sua roça para sobreviver. Mas não perdoa quem desmata, agredindo a floresta. Às pessoas que maltratam animais e não cuidam da mata, ele faz com que fiquem perdidos, sem rumo, desorientados, andando em círculos e retornando sempre ao mesmo lugar. Quando ele desconfia que está sendo seguido, corre com extrema velocidade, como um vento, zunindo no ouvido dos agressores. Emite sons, gemidos, imita pássaros, deixando o caçador perturbado e arrepiado de tanto medo. Seus pés virados para trás despistam os que tentam seguir suas pegadas, andando em direção contrária. Aqueles que na mata procuram alimentos têm ajuda do Curupira. Outra mandinga dele é fazer com que a arma do caçador indesejável fique panema, deixando de acertar qualquer tiro. Nas suas horas de descanso, senta num pau caído e saboreia as melhores frutas da floresta, alimentando também as pacas, os jabutis e as cutias. Após seu banho, senta na beira do igapó e passa horas contemplando o movimento dos socós, piaçocas, miuás, garças e outros pássaros que mariscam no lugar. Quando uma tempestade se aproxima, ele corre batendo nos troncos das árvores, verificando se suportam a ventania. Caso tenha uma árvore ameaçada de cair, ele sai avisando pra bicharada para se afastarem da área.

Os que pretendem andar na mata e não serem incomodados pelo Curupira devem tecer um objeto com cipó titica ou uma cesta com ambé ou uma peneira com tala de inajá. Esses artefatos deverão estar com a ponta do cipó, cuidadosamente escondido e deixado em pontos estratégicos, falando em voz alta:

- Curupira: quero ver se tu encontras a ponta do cipó!

Ele então fica distraído, tentando decifrar como aquilo foi feito, deixando de seguir o visitante da mata.

Em outras regiões, o protetor das florestas é conhecido também como: Caiçara, Pai-do-Mato, Anhanga, Caipora, entre outros; na região Sul ele anda montado num caititu, exercendo no campo imaginário as mesmas funções do nosso Curupira caboclo. As oferendas são tecidas em lã, substituindo os artefatos de cipó da nossa região.

Hoje nossas florestas estão sendo agredidas; os animais tendendo para a extinção; cientistas estrangeiros coletam amostras de plantas ou espécies de animais (biopirataria), levam para seus países, desenvolvem substâncias e registram patentes. Com isso, o Brasil paga por utilizar essas substâncias, extraídas das nossas matas.

A modificação da floresta traz consequências graves para o equilíbrio do meio ambiente. O aquecimento global, as secas, o assoreamento dos rios já é uma desagradável realidade na Amazônia.

Vamos cuidar, do pouco que ainda resta, manter vivas nossas lendas e tradições culturais.

Por Carlos Antônio


COMENTÁRIOS

Data / Hora:
17/02/2012 12:21:01
Nome:
Wilterléa Tavares Savino
E-mail:
leatsavino@hotmail.com
Cidade:
Porto Velho - Rondônia
Comentário:
Eu nasci e fiquei nessa maravilha de cidade que é nossa Óbidos até meus 16 anos, e ouvia muito essas estórias do curupira e outras mais, meu pai, Wilton Savino era quem contava, eu lembro que quando nós (filhos) fazíamos algo que o desagradava ele nos dizia que o curupira ia nos pegar, nossa! a gente morria de medo. Bom, eu vim embora para Porto Velho no começa dos nos anos 80, me casei tive três filhos, que infelizmente ainda não conhecem Óbidos; quando eu ia fazer meu filho do meio, hoje com 21 anos, chamado Lucas dormir, eu contava a estória do curupira pra ele, que adorava ouvir e, logo dormia. E por incrível que pareça, quando eu pergunto pra ele se ele lembra das estórias que eu contava pra ele dormir, ele responde que só lembra dessa do curupira. Bjosssssssssss p todos meus conterrâneos e eu adorei ler esse artigo sobre o curupira.

ADICIONAR COMENTÁRIO

Nome:
E-mail:
Cidade:
Comentário:
AVISO: Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade dos seus autores. O site reserva-se o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.
Utilize este espaço com responsabilidade!

FOTOGRAFIAS

0.jpg

ÓBIDOS: Casas coloridas

Number of photos7
Total size358.53 kB